sexta-feira, 4 de abril de 2014

APRENDI A PERDER

(Chile/2013)
E quando vi, estava parado.
Como um idiota resmungão, 
golfando sentimentos inúteis e 
revirando memórias incompletas. 

Batia no peito, como um herói de quadrinhos
justificando minha liberdade sagitariana de que 
nunca estaria atrelado à ninguém. 
Bobagem! 

Ali estava eu, intacto frente à mensagens sem sentido.
Aliás, sentido havia sim. 
Um rapaz idiota, tropeçando em caminhos perdidos 
sob a tutela de um instinto imponente. 

É uma tentativa vazia de esquecer. 
Vi meus fundamentos e muitos discursos 
atrofiados com meu próprio exemplo. 
'Meu mundo caiu'. 

Frente ao rosto de quem amo, 
vejo que o acesso é quase impossível. 
Um amor estrangeiro, 
que me exporta para os mais debruçantes destinos. 

Não cabe aqui, o desejo de meu coração, 
que clama por acesso, escovas juntas, 
pés entremeados e ombros na cozinha. 
Oh, Deus meu! 

A verdade é dura e os poetas sofrem mais. 
Um amor não correspondido causa hipertensão, 
atrofia os membros e cega os olhos da alma.  
Fazer o quê? Desse mal já padeço faz tempo.